Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

FIRMEZA

arfar do hálito

um sussurro que nega

bocas de húmidas línguas, sedentas

lábios maduros e quentes

pela firmeza, a rendição.

puro suor cumpre o destino

ajustar das curvas dos corpos

enquanto se esmagam bocas…

roçar de pernas

derretem-se desejos em resistências de mel

carinhos líquidos no brilho molhado dos olhos

selar do mundo no sussurrar do nome…

todo o corpo é movimento.

Ganas e movimento…

mãos presas, mãos exploradoras

lábios disciplinadores do corpo

na escondida exposta

rubra amora que não aplaca

euforia no embainhar

o relâmpago

fragilidade de eléctrica convulsão

o desejo de bis!

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 00:13
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ABONADO COLORIDO

Pagão hálito que envenena

sublime maçã sazonada

a boca vai tecendo silêncio

os olhos envolvem a pele

perpendicular impetuosidade

as mãos segredam notas musicais

de bruma na espuma

que à pluma ruma

depenicos debicos de bicos a mordicar

os corpos sedentos envolvem-se

fundem-se

dissolvem-se

 

Edite Gil

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publicado por Edite Gil às 00:07
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NOITE INVEJOSA

transpor o barranco e cicatrizar temporais

sem miopismos a empoeiradas mentes

o coração verte lágrimas de cristal

sob uma lua surreal

flutuam os lábios que lacram o beijo

famintos na quietude do desejo

pelos espinhos se teme a flor

eterno Inverno

nublado de erotismo

arrepios percorrem a carne

sublime clandestinidade da madrugada

ser delta e ser foz

incandescente beijo de vidro

inaugurando a tela

cansados braços, buscando na ausência

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

AVESTRUZ

ser avestruz

há miopismos que se tentam transpor

e mentes emporiradas que circundam

há lágrimas de puro cristal

vertidas pela alma

o coração da lua

é barranco intemporal

faminto e surreal

flutuam quietudes

espinhos de desejos

famintos

na flor que teme abrolhos

há noites invejosas

que vão moendo, caladas

aguardar o tempo que brandamente macera

sensações de sentidos

sentidamente pressentidos e incoerentes

mas prescientes

braços cansados, caídos

buscando

tange o ser…

o ser avestruz

que não sabe, mas quer voar

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 23:59
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SABOR DA LUZ

na madrugada clandestina

é sublime ser montante e jusante

ser incandescente delta

e em beijos de vidro, ser a foz

inauguro a tela

percorro erotismos enublados

flutuam Invernos em lábios lacrimejantes

eternos que lacram Invernos

perfumes, tactos, músicas, cores, gostos

a ardente escala de faunos beijos

estendidos, flutuam os beijos

meramente na lira que tange, sensual

aromas subtis de louco sabor

que aspira alma de estranha melodia

no beijo disperso

controverso

inverso

perverso…

a luz da maçã no sabor do poente…

 

Edite Gil

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012

...


contador visitante

publicado por Edite Gil às 21:40
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

MAR DISTRAÍDO

Não quero as nuvens negras

ameaçando tempestades!...

Eu quero ser o pássaro branco,

o pássaro leve que desliza

alegre na brisa que tamborila…

Quero acender uma estrela num chão de palavras…

Quero o som da chuva

imortalizado na delonga de um verso…

Eu quero o mar distraído,
e o odor do tempo suave,

e os restos de Atlântico nos olhos…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 22:02
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ABANDONAI A NOITE

Abandonai a noite medonha e feia

estimada como preciosidade!

Que não medrem mais as faíscas gélidas

que aplaquem o desespero das almas famintas de luz

que cesse, na alma, a chuva estupidamente persistente

parecendo não abandonar o céu!

Deixai a pomba branca

partir rumo ao pôr-do-sol

onde um brilho de alegria, bailarino perfeito,

começa a florir

nos conquista e encanta

e proporciona um espantoso cenário…

Olhai a vida

como um navio de luz resplandecente

a rasgar as águas deste rio doirado…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:59
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SOLIDÃO

Trajada de infinito

na una demência insana

encontra-se a lucidez

algures

numa esquina da mente

uivando sua dor sôfrega

entre cardadores de erectos abrolhos…

É urgente travar a evolução!

O alheamento disfarçado em cada ser,

numa ostentação faustosa de ventura

encobrindo cada ermo descampado

impúdico e perverso

na avidez de uma evolução

que se pretende interdita

o exílio da alma ante o corpo

contraiu matrimónio

com a ternura deprimente do progresso.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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ALTAS HORAS

Há um vulto iluminado pela lua

nesta noite esquálida de perfume

noite em que ao calor de uma carícia

se opõe uma brisa eivada

por odores pincelados de lírios

e discretas açucenas.

noite pura, cálida e fria

em que baila a geada em noite de julho

em que o trigo saltita e a cevada se agita

na brisa perfumada de uma espiga meneante…

Solitária miro a cigarra

cantando perfumes de verão

numa quente noite de estio perfumada

em que neva em meu coração…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:54
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TROVADOR

Serei talvez

um auspicioso trovador

num moderno caminho destruidor…

A noite será chocolate

para uns ouvidos áridos de mel

ante a luz suave do entardecer

e o crepitar de cinzas numa fogueira feita borralha…

À luz paciente da lua

aromatizada pelos gritos das flores

nascem pensamentos ridículos,

sorrisos que rapidamente morrem nos lábios,

à suave luz do entardecer

petrifica-se um amor de uma felicidade contrariada.

O dia engole a noite e a noite devora o dia…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:51
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ERRANTE

Deambulo errante numa estrada

que ruma a uma terra estéril

a um negro fundo de um precipício.

Entre o poço do passado e o abismo do futuro

há um firmamento estrelado de uma forma extravagante

engodado de uma perfeição estupidamente brilhante.

Em mim há um rebelde demónio

que me segreda sobre a falsa ciência do amor

que me murmura sobre esse sentimento obsoleto.

É fácil falar da dor

nesta existência sonambúlica.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:47
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NADAR BEM !...

Nadar bem…

procurar águas límpidas e cândidas…

Procurar

a difusão do brilho cristalino de um raio de sol

que se espraia pelas águas ondulantes…

Ter o discernimento suficiente

para não se deixar iludir por cores brilhantes…

Ser suficientemente inteligente

para se adaptar a alternâncias de correntes…

a variadas temperaturas da água…

Nadar,

nadar livremente…

Nadar livremente entre algas e corais

e ter tempo para apreciar a sua beleza…

Aproveitar a paz luminosa no mistério da vida…

Usufruir toda essa alegria

que só pode ser apagada pela confidência da morte…

Foi esta a história

que um peixinho me contou

quando eu era criança…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

 

 

publicado por Edite Gil às 21:28
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